23/05/11

Autarquias: Autarcas de Castelo de Vide e Marvão dizem que fusão "acelera" desertificação

Os autarcas de Marvão e Castelo de Vide, no Alentejo, declararam-se hoje contra uma eventual junção dos dois concelhos vizinhos, considerando que a medida poderá “acelerar” e “agravar” o processo de desertificação da região.



 No memorando de entendimento entre o Governo e a “troika” está prevista a redução de 15 por cento nos cargos dirigentes da administração local e, por consequência, a redução do número de municípios.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente do município de Castelo de Vide, António Pita, diz que, caso a medida fosse tomada, seria “uma violência” obrigar os seus munícipes a deslocarem-se a Marvão para resolver os assuntos que normalmente decidem naquela vila alentejana.

“Isso criaria uma revolta e uma injustiça para as pessoas de Castelo de Vide”, sublinhou.

Vítor Frutuoso, presidente do município de Marvão, recordou, por sua vez, à Lusa que aquele concelho tem em marcha “um conjunto de projetos estratégicos” para a região (candidatura a Património Mundial e reestruturação do campo de golfe), que poderiam ficar em causa se a sede de concelho passasse para Castelo de Vide.

“Era pertinente que os concelhos se mantivessem”, afirmou.

O concelho de Castelo de Vide, com cerca de quatro mil habitantes e o de Marvão com cerca de 3800 habitantes, são dois dos quinze municípios que compõem o distrito de Portalegre com maior atividade turística.
“Eu não vou deixar o concelho de Marvão para ir para o de Castelo de Vide”, disse à Lusa Joaquim Henrique, de 79 anos e residente no concelho de Marvão, enquanto passeava pelas ruas sinuosas daquela vila histórica.

“Se fosse possível deveriam de ficar as duas, mas acho que a vila de Castelo de Vide está mais centrada pelo turismo que tem”, defendeu, por seu turno, Joaquim Solano, proprietário de um estabelecimento de restauração no centro de Castelo de Vide.

Enquanto a população manifesta-se contra uma eventual junção, António Pita sublinha que é “precipitado” avançar com uma discussão sobre esta matéria, mas lembra que o seu concelho deve prevalecer, uma vez que está dotado de várias infraestruturas e equipamentos.

O autarca, que defende a elaboração de um plano de desenvolvimento regional, reconhece que “deve haver” uma reorganização administrativa, sobretudo nas freguesias, sublinhando ainda que, se a reorganização administrativa passar pela alteração dos municípios, será a “machadada” no interior do país.

Vítor Frutuoso defende, por sua vez, a sobrevivência futura do concelho de Marvão, alegando que “é um dos mais antigos do país”.

O autarca da vila histórica de Marvão considera ainda que aquela região está a passar por um processo de desertificação “preocupante”, porque ao longo dos anos foi desenvolvida uma “má política agrícola e uma má política fiscal”.
@Lusa

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