12/03/14

Março, teatro e primavera - Évora



 
 
 Março, teatro  e primavera
Março virado de rabo, é pior que o diabo, diz o povo. Mas como isto de diabos, cada um tem o seu, e alguns têm dois (e também parece que é o povo que diz isto), não há-de senão haver dedo de diabo nisto.
O certo é que relançamos a programação dos Ciclos de São Vicente com a exibição de cinema, com exposições e a sexta sessão dos cruzamentos. E encerramos a primeira experiência participativa com o modelo de «A galinha da minha vizinha», com um balanço muito positivo e a promessa de regressar. Em cada caso, não vá o diabo tecê-las, reinventamos e refazemos, que é como quem diz, convidamos a participar, a descobrir, a colaborar, a ver, a ler e a estar. 
 
Em busca de interstícios, do detalhe oblíquo na espessura da história, procurámos filmes realizados entre antes e depois da revolução: 1973, 1974, 1975. Alguns tiveram estreia nesse período, outros mal viram ou foram vistos nas salas. Este olhar sobre as relações entre história e cinema não busca uma leitura dos modos de inscrição da história no cinema, com o cinema a ser pano de fundo documental de episódios, protagonistas ou momentos do processo revolucionário. Propõe-se antes ver o cinema cuja criação, produção e exibição marca a moldura histórica da revolução. 
Assim, a programação de Março, Abril e Maio de 2014 dos Outros cinemas exibirá filmes daqueles anos, numa sequência rotativa, trazendo de cada ano os filmes que a história desses anos viu, e que muitos de nós lembramos ainda como espectadores, desses anos ou posteriores. Uns foram fracassos de bilheteira que se tornaram em clássicos, outros, pelo contrário, tiveram uma popularidade que depois caiu no esquecimento. Alguns, como por exemplo os filmes portugueses, mal chegaram a ser vistos nos circuitos comerciais e impunha-se uma sua revisitação, talvez o tema da nossa próxima temporada. Mas por agora, os filmes que veremos em Março estão reunidos sob o signo dos interditos, das censuras e dos modos sociais de vigilância e controlo: a religião, a sexualidade, o corpo, a ideologia, a língua nos idos de 70, para lembrar os 40 anos da revolução. Convosco!
 
  
lançámos um desafio a Fernando Mora Ramos para dinamizar um debate sobre essa arte que os tempos que correm mostram ainda mais difícil e mais transforma em lugar de resistência. Será com a sua conferência-debate, intitulada «Didascálias para uma crise» (dia 19), e a leitura, orientada por Luís Varela, de «Um mundo novo, de acordo, mas quando?», texto que Alain Badiou dedicou a Bertolt Brecht (dia 12), que celebraremos o dia mundial do teatro.
 
  
Com a exposição «O mar, as ondas e o vento», o escultor mostra como trabalha o ferro em busca de formas e ventos, de ondulações e equilíbrios, de superfícies materiais e silêncios profundos. As suas peças (vozes, formas, matérias) habitarão a Igreja de São Vicente entre 19 de Março (dois dias antes da primavera) e 30 de Abril. Fica o convite feito. Os ciclos são vossos!
 
Em março 2014
Igreja de São Vicente
 
 12 de março, 21h 30
Um mundo novo, de acordo, mas quando?
Luís Varela conduz a leitura de Alain Badiou | Cruzamentos #6

19 de março, 18h (inauguração)
O mar, as ondas e o vento 
exposição de Gonçalo Jardim

19 de março, 21h 30
Didascálias para uma crise
conferência-debate com Fernando Mora Ramos

 OUTROS CINEMAS 2014  |  para comemorar os 40 anos do 25 de Abril
Cinema na história

18 Março
1974
O enigma de Kasper Hauser, Werner Herzog
Realizado em 1974 por Werner Herzog, o filme relata a história de um homem que, criado em isolamento, sem saber escrever ou falar, é encontrado em Nuremberga, integrado pela aprendizagem na vida social. Essas aprendizagens são feitas de forma peculiar. E não resistimos a considerar um efeito de homologia: assim estava Portugal quando a revolução se fez, assim anda aprendendo a vida comum, a vida europeia, a vida social?
 
25 de Março
1975
Saló ou os 120 dias de Sodoma, Pier Paolo Pasolini
O último filme de Pier Paolo Pasolini foi recebido com choque e escândalo, ao qual não terá sido alheia a sua morte e as suas circunstâncias. Em Itália, foi proibido imediatamente e houve até tentativas de destruição do filme. A Portugal o filme chegou no início de 1976, mas conta-se que terá sido difícil ultrapassar resistências do VI Governo Provisório, sendo o filme exibido a 1 de Setembro desse ano, no Festival da Figueira da Foz, já com o I Governo constitucional empossado, no qual era Secretário de Estado da Cultura David-Mourao Ferreira.

Financiamento de proximidade
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