27/09/11

 
Évora

1. História

Os primeiros povos da Europa viviam em cavernas, não tinham estradas nem caminhos, não tinham roupas, cobriam-se com peles de alguns animais, não cultivavam os campos e colhiam os frutos que a terra dava. Não precisavam de trabalhar, contentavam-se com o que iam encontrando, como a carne de animais e peixes do rio e do mar. Para a caça, pesca e para se defenderem das feras usavam lanças e machados, que eram feitos de pedra, ossos e, mais tarde, de metal.

Desta união formaram-se diversas tribos pela Europa, sendo os Iberos os primeiros a ocupar a Península que acabou por ficar com o seu nome, Península Ibérica.

A Península Ibérica era uma terra cheia de riquezas. Havia ouro, prata e cobre que eles trocavam por tecidos.

Tendo um bom clima, terras férteis e cheias de valores, é natural que tivessem sido cobiçadas por outros povos como, por exemplo, os Celtas. Os Iberos não gostavam de gente estranha mas criaram amizades e formaram um só povo, os “Celtiberos”.

Os Celtiberos viviam separados em diversos grupos. Um dos grupos mais importantes para nós foram os Lusitanos, que viviam numa região chamada de Lusitânia, entre o rio Douro e o rio Guadiana; mas outros povos vieram até à Península Ibérica; Visigodos, Alanos, Suevos, Vândalos, Gregos, Fenícios, Vikings e Cartagineses.

Uma dura guerra persistia entre os Cartagineses e os Romanos, um povo que evoluiu tanto que ensinou os outros a construir estradas, pontes, muralhas, e a bem governar.

Como os Cartagineses vieram para a Península Ibérica, os Romanos perseguiram-nos e depois de os vencer, instalaram-se em quase toda a Península. Na sua enorme evolução, os Romanos acabaram por ficar com um Império enorme, o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente, e dominaram a Europa, tendo perdido depois o Império devido à degradação moral e politica entre os seus governantes.

Por volta do ano 700 da nossa era um povo vindo de África, os Mouros, grandes guerreiros que derrotaram os Visigodos, conquistaram quase toda a Península Ibérica. Alguns Visigodos refugiaram-se nas montanhas a norte da Península e começaram a combater os Mouros com um chefe chamado Pelágio e obtiveram uma enorme vitória em Covadonga, dando origem ao Reino das Astúrias. Com o avançar do tempo, começaram a ganhar diversos reinos: Leão, Navarra, Aragão e Castela. Por essa ocasião, chegaram fidalgos Francos para ajudarem na luta. De entre eles vieram dois primos, D. Henrique e D. Raimundo que, mostrando uma coragem invulgar, deram origem a que o Rei de Leão, Afonso VI, os casasse com as suas filhas. D. Raimundo casou com Dª. Urraca e D. Henrique com a Dª. Teresa, tendo sido enviado para o Condado de Portucalense, junto ao rio Douro para o governar. Desta união nasceu um filho a quem deram o nome de Afonso Henriques que, ainda jovem, começou a comandar um exército e a lutar não só contra os Mouros mas também contra os Lioneses que queriam ocupar o Condado de Portucalense. Afonso Henriques, conde do Condado Portucalense, consegue conquistar aos Mouros as cidades de: Coimbra, Lisboa, Alcácer do Sal, Palmela, Sintra, ÉVORA, Beja, Moura, Serpa e Juromenha.

Os seus sucessores continuaram a grande luta e foi o seu bisneto, Afonso III, que faz a expulsão dos sarracenos do Algarve, com a ajuda dos cruzados. Mas foi o seu trisneto, D. Dinis, que usufruiu das vitórias de seus pais para, de acordo com o Rei de Castela, fazer a definição das fronteiras de PORTUGAL pelos rios: Minho, Douro, Tejo e Guadiana. O Rei de Castela achou o processo tão isento e exemplar que ofereceu a Portugal a região de Olivença, que ficou inserida no Concelho de Elvas.

Em verdade, o primeiro Rei de Portugal foi sua Majestade D. Dinis, porque os seus anteriores familiares não foram mais de que Condes do Condado Portucalense.

Évora é conhecida, em termos históricos, pelos vestígios da ocupação humana na cidade e nos arredores desde o período Paleolítico Superior, embora no Neolítico tivesse sido palco de grandes movimentações humanas testemunhadas por centenas de monumentos megalíticos – Antas, Cromeleques, Menires e a célebre gruta do Escoural, situada na antiga vida de Santiago do Escoural, no Concelho de Montemor-o-Novo. A cavidade subterrânea é constituída por perto de três dezenas de galerias com salas, corredores, rampas e pequenas câmaras. Revelou-se uma estação característica de arte rupestre do Paleolítico Superior e uma vasta necrópole. Contém 14 pinturas e 5 gravuras datadas do período compreendido entre 17.000 e 1.300 AC.

Actualmente, Évora é constituída por 14 freguesias e tem 50.540 hectares, sede de Concelho, comarca, arquidiocese e distrito. Encontra-se situada numa ampla colina de declives brandos a 150 metros de altitude, na margem direita do rio Xarrama, afluente do Sado.

Évora foi formada no ano 59 AC, pelo Imperador César Augusto, com o nome de “Liberalitas Julia” e, após a colonização Romana, foi ocupada pelos Muçulmanos durante cinco séculos. Foi tomada aos Mouros em 1159, mas eles recuperaram-na em 1161.

Era uma cidade populosa, defendida por um forte castelo e toda ela cercada por sólidas muralhas. O cavaleiro Geraldo Geraldes, – o “Sem-Pavor”, cuja nobreza de ânimo não se coadunava com a vida de fora-da-lei, para se reabilitar perante Afonso Henriques arquitectou um ardil coroado de êxito; apoderou-se da cidade em 1165 que, imediatamente, cedeu ao Conde do Condado de Portucalense. A linda cidade recebeu foral em 1166 e, desde Sancho I a D. Sebastião, nela viveram durante vários anos, diversos Reis de Portugal.

Considerada cidade-museu, são muitos e valiosos os seus monumentos.

Évora passou por três situações terríveis, primeiro com os Castelhanos na crise de 1383-1385 e, mais tarde, após a morte de D. Sebastião em Marrocos, com os Espanhóis a invadirem Portugal por terra e por mar e a nomearem Rei de Portugal – Filipe II de Espanha, I de Portugal. Foi um erro de direito pois quem devia ser nomeado Rei de Portugal era D. António Prior do Crato. Ambos eram netos do nosso Rei D. Manuel. O último descalabro que ocorreu na cidade foi em 1808 devido à primeira Invasão Francesa. Junot ao saber que em Évora se juntaram centenas de militares, incluindo Espanhóis, com o objectivo de marcharem sobre Lisboa, enviou o General Loison que tinha a alcunha do “Maneta”, e este conseguiu entrar pela porta de Beja, matando milhares de Eborenses, saqueando a cidade e incendiando-a.

Há 50-60 anos Évora era ainda uma cidade medieval. Os seus habitantes, em grande maioria moravam dentro das muralhas e só a partir de 1974 esta se transformou e se começou a modernizar, sendo hoje um centro histórico de grande gabarito. A instalação em Évora de uma Universidade, o dinamismo dos responsáveis pelo turismo e um sector industrial em crescimento, faz com que nos dias que correm, Évora seja mais dinâmica e prestigiada.

A sua população actual ronda os 50.000 habitantes.

1. Cultura

De todos os povos que invadiram Évora, salientamos os Romanos e os Mouros. Da colonização Romana, ficou o luxo das suas casas com saneamento básico, piscinas, mosaicos pitorescos, estradas e o ensino das artes bélicas e da disciplina. Como eram elitistas, distanciavam-se do povo, e até nem se cruzavam com as mulheres que por cá existiam. Em contrapartida, os Mouros, que na sua época foram o povo mais evoluído, trouxeram-nos as suas danças, cantares e o ensino da Filosofia, Matemática e Astrologia. Cordoba e Toledo possuíam as melhores bibliotecas do mundo. Isto transmitia uma enorme sede de saber. Confraternizavam com os povos ocupados, mas também se juntavam com as mulheres que cá viviam. A agricultura, mãe de todos os sucessos, foi imensamente desenvolvida, de tal forma que hoje ainda se regam as cultuas por alagamento e, no campo, ainda se encontram as noras e as cegonhas que serviam para obter água para os humanos, animais e também para as diversas culturas.

Em Évora existem ainda muitas raízes da cultura deixada pela presença de muitos dos Reis de Portugal assim como são inúmeros os monumentos identificativos da cultura Portuguesa em Évora e, por todos eles, a cidade é conhecida como uma Cidade Museu. Hoje, o centro Histórico é talvez uma das principais riquezas da cidade, tendo obtido a classificação pela UNESCO, em 25 de Novembro de 1986, de “Património da Humanidade”.

Passear na cidade velha é ver os monumentos, as suas ruas à moda romana, os largos e as praças com lindos jardins, fontes, pátios, ruas e becos estreitinhos, a casa Cordovil ainda com vestígios Árabes, etc.

Em Évora nasceram:

- Álvaro Pires de Évora, pintor afamado em Itália, na primeira metade do séc. XV, de tal modo que Vasari o refere na edição de 1580 de: Le vite de’ più eccelenti Pittori, Scultori e Architettori.

- Pedro de Évora, navegador Português do séc. XV.

- Regimento de Évora, guia náutico Português que se conserva na Biblioteca Pública e que foi impresso por Germão Galhardo em 1516.

É lógico que com o decorrer dos tempos tudo evoluiu e Évora não fugiu a essa realidade.

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