24/10/11

Relato original do oficial da GNR que presenciou a morte de Catarina Eufémia

I – Data da Instalação: 9 de Dezembro de 1948
II – Casos Relacionados com a Ordem Pública: No dia 19 de Maio, do ano de 1954, um rancho de ceifeiras, instigadas por agentes comunistas, dirigiram-se à herdade do Olival, sita nos subúrbios desta localidade, a fim de por meio de ameaças obrigarem um outro rancho também de ceifeiras, que se encontravam trabalhando naquela propriedade, a abandonarem o trabalho, para exigirem salários exagerados e estabelecerem a confusão, dando por esse motivo origem a uma grande alteração da ordem pública, tornando-se necessário, deslocar-se a esta localidade, uma força comandada pelo então Comandante da Secção de Beja, Sr. tenente João Tomas Carrajola, a fim de por cobro aos acontecimentos. Durante estes tumultos um grupo de mulheres, do qual fazia parte Catarina Eufémia, com termos ameaçadores, dirigiu-se ao comandante da força.

Este Sr. Oficial, que estava armado de Pistola Metralhadora, tentou persuadir as amotinadas a dispersarem e nesse momento, devido ao automatismo da arma, esta disparou-se sem qualquer interferência do dito oficial, cuja bala atingiu a referida Eufémia, ferindo-a gravemente, a qual veio a falecer no hospital de Beja.No dia 17 de Agosto do mesmo ano, nova alteração da ordem pública se registou nesta localidade. Uma grande parte do povo amotinou-se em frente do posto da G.N.R. também com fins subversivos. Nesse dia, encontrava-se de visita a este Posto, o ex-Comandante da Comanhia Exmº. Snr. Capitão Camilo José Delgado, cujo Sr. Oficial, tentou por meios sussórios convencer os amotinados a dispersarem e restabelecer a ordem. Todavia, os desordeiros, cercaram o oficial em questão e tentaram agredi-lo, mas algumas praças do efectivo do Posto, fazendo diversos tiros dirigidos para o espaço, levaram os amotinados a abandonarem os seu intentos e a desbandarem-se. Em consequência deste acontecimento, foram capturados como principais responsáveis e conduzidos sob prisão para a cadeia de Peniche, os seguintes indivíduos: António Fernando Filipe, casado, de 32 anos de idade, trabalhador, natural e residente em Baleizão; Agostinho Borraga, casado, de 30 anos de idade, trabalhador, natural de Baleizão e residente em Lisboa e António da Silva Caetano, casado, de 27 anos de idade, trabalhador, também natural de Baleizão e residente em Lisboa.
III – Índole da População: Há.
IV – Meio de vida da população:
Uma parte da população dedica-se ao trabalho agrícola e outra parte dedica-‑se ao negócio do gado muar, cavalar e asinino.
V – Situação económica, política e social:
Situação económica. Regular. Política. Têm ideias subversivas bastante avançadas. Social. Precária.
Quartel em Baleizão, 1 de Novembro de 1960.
O Comandante de Posto

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